Glossário de cardiologia veterinária
Os termos que aparecem no laudo e na consulta, explicados em linguagem de tutor. 51 verbetes, revisados pela equipe da Goldfeder.
- Aferição de pressão arterial
- Medida da pressão do sangue nas artérias, com manguito na pata ou na cauda (Doppler ou oscilométrico). Faz parte da consulta cardiológica e do rastreamento de gatos idosos e animais com doença renal.
- Antiarrítmico
- Medicamentos que controlam arritmias (sotalol, amiodarona, diltiazem, mexiletina, entre outros). A escolha depende do tipo de arritmia, definida por ECG e Holter.
- Arritmia cardíaca
- Qualquer alteração do ritmo ou da frequência dos batimentos: batidas fora de hora, muito rápidas ou muito lentas. Algumas são inofensivas, outras causam desmaios e podem ser fatais; o eletrocardiograma e o Holter distinguem uma da outra. Ler mais →
- Ascite
- Acúmulo de líquido livre no abdome, que deixa a barriga inchada. Na cardiologia indica insuficiência cardíaca direita, como na hipertensão pulmonar grave ou em doenças da valva tricúspide.
- Ausculta cardíaca
- Escuta do coração com o estetoscópio. Avalia frequência, ritmo, intensidade das bulhas e presença de sopros. É o primeiro passo de qualquer avaliação cardíaca.
- Betabloqueador
- Classe de medicamentos (atenolol, por exemplo) que reduz a frequência cardíaca e a força de contração. Usada em estenose pulmonar ou subaórtica graves, em algumas arritmias e em cardiomiopatia hipertrófica com obstrução.
- Bloqueio atrioventricular BAV
- Falha na condução do impulso elétrico dos átrios para os ventrículos. No 3º grau (total) o coração bate muito devagar, causa desmaios e o tratamento é o implante de marca-passo.
- Cardiomiopatia dilatada CMD
- Doença do músculo cardíaco em que o ventrículo esquerdo se dilata e contrai fracamente. Típica de cães de grande porte (Dobermann, Boxer, Dogue Alemão) e associada a arritmias e morte súbita.
- Cardiomiopatia hipertrófica CMH
- Doença do músculo cardíaco em que a parede do ventrículo esquerdo engrossa e perde a capacidade de relaxar. É a cardiopatia mais comum em gatos e muitas vezes silenciosa até a primeira crise. Ler mais →
- Cardiopatia congênita
- Defeito estrutural do coração presente desde o nascimento. As mais comuns em cães são a persistência do ducto arterioso, a estenose pulmonar e a estenose subaórtica; várias podem ser corrigidas por cateterismo.
- Cateterismo cardíaco
- Técnica em que cateteres são introduzidos por um vaso sanguíneo até o coração, guiados por raio-X e ecocardiograma, para diagnosticar ou tratar sem abrir o tórax. Permite fechar o PDA, abrir valvas estreitadas e implantar marca-passo.
- Cianose
- Coloração azulada ou arroxeada das gengivas e da língua por falta de oxigênio no sangue. Sinal de gravidade em doenças cardíacas e respiratórias; exige atendimento imediato.
- Clopidogrel
- Antiagregante plaquetário usado em gatos com cardiomiopatia e átrio esquerdo dilatado para reduzir o risco de formação de coágulos e de tromboembolismo aórtico.
- Comunicação interventricular CIV
- Orifício na parede que separa os dois ventrículos. Defeitos pequenos podem ser apenas acompanhados; os grandes causam sobrecarga e podem exigir intervenção.
- Dirofilariose
- Infecção pelo verme Dirofilaria immitis, transmitido por mosquitos, que se aloja nas artérias pulmonares e no coração direito. Causa hipertensão pulmonar e é prevenível com medicação mensal.
- Displasia de valva mitral ou tricúspide
- Malformação congênita dos folhetos ou das cordas de uma valva, que passa a refluir desde cedo. Frequente em Labrador (tricúspide) e em gatos.
- Doença valvar degenerativa DVD / endocardiose
- Desgaste progressivo da valva mitral (e às vezes da tricúspide), que passa a deixar o sangue refluir. É a doença cardíaca mais comum em cães, sobretudo de pequeno porte e idosos. Ler mais →
- Ecocardiograma
- Ultrassom do coração. Mostra em tempo real o tamanho das câmaras, a espessura das paredes, o funcionamento das valvas e, com o Doppler, a direção e a velocidade do sangue. É o principal exame da cardiologia veterinária, indolor e sem sedação na maioria dos casos. Ler mais →
- Edema pulmonar
- Acúmulo de líquido dentro dos pulmões, o principal sinal de insuficiência cardíaca esquerda. Causa respiração rápida e difícil, tosse e gengivas azuladas; é emergência.
- Efusão pericárdica
- Acúmulo de líquido no saco que envolve o coração (pericárdio). Quando comprime o coração (tamponamento), é emergência e exige drenagem por punção (pericardiocentese).
- Eletrocardiograma ECG
- Registro da atividade elétrica do coração por eletrodos na pele. É o exame que identifica arritmias e alterações de condução; dura poucos minutos e não exige sedação.
- Espironolactona
- Diurético poupador de potássio com efeito protetor sobre o músculo cardíaco. Faz parte do tratamento da insuficiência cardíaca em cães, associada aos demais fármacos.
- Estágios ACVIM (A, B1, B2, C, D) ACVIM
- Sistema de estadiamento da doença valvar degenerativa proposto pelo American College of Veterinary Internal Medicine: A (risco), B1 (sopro sem aumento cardíaco), B2 (aumento cardíaco sem sinais), C (insuficiência cardíaca) e D (refratária). Define quando começar cada tratamento.
- Estenose pulmonar
- Estreitamento congênito da valva pulmonar, que dificulta a saída do sangue do ventrículo direito para os pulmões. É uma das cardiopatias congênitas mais comuns em cães e pode ser tratada por valvoplastia com balão. Ler mais →
- Estenose subaórtica ESA
- Estreitamento abaixo da valva aórtica, que obriga o ventrículo esquerdo a trabalhar contra resistência. Congênita, comum em Boxer, Golden Retriever, Rottweiler e Pastor Alemão; nos casos graves há risco de morte súbita.
- Fibrilação atrial FA
- Arritmia em que os átrios deixam de contrair de forma organizada e o ritmo fica irregular e acelerado. Comum em cães de grande porte com o coração dilatado; controlada com medicamentos.
- Fração de encurtamento FS / FE
- Medida do ecocardiograma que expressa o quanto o ventrículo esquerdo reduz de tamanho a cada contração. Valores baixos indicam fraqueza do músculo, como na cardiomiopatia dilatada.
- Frequência respiratória em repouso FRR
- Número de respirações por minuto com o animal dormindo ou totalmente relaxado. Abaixo de 30 é normal; acima de 40 de forma sustentada pode indicar acúmulo de líquido nos pulmões. É o melhor monitor caseiro do cardiopata.
- Furosemida
- Diurético de alça que elimina o excesso de líquido pelos rins. É o remédio que resolve o edema pulmonar na insuficiência cardíaca; a dose é ajustada ao menor valor que mantém o animal sem sinais.
- Hipertensão arterial sistêmica
- Pressão arterial elevada de forma persistente, na maioria das vezes secundária a doença renal, hipertireoidismo ou outras condições. Em gatos pode causar cegueira súbita e espessamento do músculo cardíaco.
- Hipertensão pulmonar HP
- Aumento da pressão nas artérias dos pulmões, que força o lado direito do coração. Em cães é quase sempre consequência de outra doença (valvar, pulmonar ou dirofilariose) e é diagnosticada pelo ecocardiograma. Ler mais →
- Holter
- Eletrocardiograma contínuo de 24 horas, gravado por um aparelho preso ao corpo do animal com um colete. Essencial para flagrar arritmias intermitentes, investigar desmaios e ajustar antiarrítmicos.
- Inibidor da ECA IECA
- Classe de medicamentos (benazepril, enalapril) que reduz a ativação hormonal prejudicial na insuficiência cardíaca e alivia a carga sobre o coração. Usado em conjunto com diurético e pimobendan.
- Insuficiência cardíaca congestiva ICC
- Estágio em que o coração já não consegue bombear o suficiente e o sangue "represa", causando acúmulo de líquido nos pulmões (edema) ou no abdome (ascite). É uma síndrome, o desfecho de várias doenças cardíacas. Ler mais →
- Intolerância ao exercício
- Cansaço desproporcional ao esforço: o animal para no meio do passeio, ofega mais que o habitual ou evita brincar. Um dos sinais mais precoces e mais ignorados de doença cardíaca.
- Marca-passo
- Gerador de pulsos implantado sob a pele, ligado a um eletrodo dentro do coração por uma veia, que garante uma frequência cardíaca mínima. Indicado em bloqueios atrioventriculares avançados e na síndrome do nó sinusal doente com desmaios.
- NT-proBNP
- Exame de sangue que mede um hormônio liberado quando o músculo cardíaco está sob estiramento ou estresse. Ajuda a triar doença cardíaca e a distinguir dispneia cardíaca de respiratória; não substitui o ecocardiograma.
- Oclusor de ducto (ACDO) ACDO
- Dispositivo de malha de nitinol, desenhado para cães, que é levado por cateter até o ducto arterioso e liberado ali, fechando a comunicação. É o tratamento de escolha para o PDA quando a anatomia permite.
- Pericardiocentese
- Punção com agulha, guiada por ultrassom, para retirar o líquido acumulado ao redor do coração. Alivia imediatamente o tamponamento cardíaco.
- Persistência do ducto arterioso PDA
- Cardiopatia congênita em que um vaso fetal (o ducto arterioso) não se fecha após o nascimento, desviando sangue da aorta para a artéria pulmonar e sobrecarregando o coração. Tem cura quando corrigida cedo, por cateterismo ou cirurgia. Ler mais →
- Pimobendan
- Medicamento que aumenta a força de contração do coração e dilata os vasos. É a base do tratamento da doença valvar degenerativa a partir do estágio B2 e da cardiomiopatia dilatada.
- Radiografia de tórax
- Exame de imagem que mostra a silhueta do coração, os pulmões e os grandes vasos. É o melhor exame para identificar edema pulmonar e derrames, e ajuda a diferenciar tosse cardíaca de tosse respiratória.
- Relação AE/Ao AE/Ao
- Razão entre o diâmetro do átrio esquerdo e o da aorta, medida no ecocardiograma. É o principal indicador de aumento do átrio esquerdo; valores acima de 1,6 marcam o estágio B2 da doença valvar.
- Sildenafil
- Vasodilatador das artérias pulmonares, usado para reduzir a pressão na hipertensão pulmonar e melhorar sinais como cansaço, tosse e desmaios.
- Síncope
- Perda súbita e breve de consciência por queda do fluxo de sangue ao cérebro, geralmente durante esforço, tosse ou empolgação. Diferente da convulsão, a recuperação é rápida. Sempre merece investigação cardiológica.
- Sopro cardíaco
- Ruído extra ouvido na ausculta, produzido por turbulência do sangue dentro do coração. Não é uma doença, é um sinal: pode indicar um defeito valvar ou congênito, mas também pode ser inocente, sobretudo em filhotes. Ler mais →
- Tetralogia de Fallot
- Combinação de quatro defeitos congênitos (estenose pulmonar, comunicação interventricular, aorta cavalgante e hipertrofia do ventrículo direito) que mistura sangue venoso e arterial e causa cianose.
- Tromboembolismo aórtico TEA
- Coágulo formado no coração (geralmente em gatos com cardiomiopatia) que se solta e entope a aorta, causando paralisia súbita e dolorosa das patas traseiras. Emergência absoluta.
- Troponina I
- Proteína liberada no sangue quando há lesão das células do músculo cardíaco. Útil em miocardites, traumas, intoxicações e para avaliar risco em algumas cardiomiopatias.
- Valvoplastia por balão
- Procedimento por cateterismo em que um balão é inflado dentro de uma valva estreitada (em geral a pulmonar) para abri-la. Não há abertura do tórax; é o tratamento de escolha para a estenose pulmonar moderada a grave. Ler mais →
- VHS (Vertebral Heart Score) VHS
- Medida do tamanho do coração na radiografia de tórax, comparado ao comprimento das vértebras. Ajuda a identificar cardiomegalia e a acompanhar sua evolução.
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