Casos Complexos — Cardiologia de Referência

Em resumo

Casos que se beneficiam da referência: cardiopatias congênitas com indicação de cateterismo (PDA, estenose pulmonar), bradiarritmias com síncope (marca-passo), efusão pericárdica, insuficiência cardíaca refratária e pacientes cardiopatas que precisam de anestesia para outros procedimentos.

Alguns casos mudam de rumo quando chegam ao cardiologista intervencionista: o filhote com PDA que deixa de ser um paciente crônico e vira um paciente curado; o cão com bloqueio AV total que para de desmaiar com o marca-passo; o gato com efusão pleural em que o diagnóstico define se é coração ou não. Esta página descreve os perfis que mais se beneficiam da referência e o que oferecemos em cada um.

Cardiopatias congênitas com indicação de intervenção

Persistência do ducto arterioso: sopro contínuo em filhote, dilatação de AE e VE no eco. Fechamento por ACDO via femoral, em geral a partir de 2,5 a 3 kg; coils ou ligadura cirúrgica em pacientes menores. Quanto mais cedo, melhor o remodelamento.

Estenose pulmonar: gradiente acima de 50 mmHg com sinais, ou acima de 80 mmHg mesmo sem sinais. Valvoplastia por balão; em Buldogues, avaliação de anomalia coronariana (tipo R2A) antes do procedimento.

Outros: estenose subaórtica (manejo clínico na maioria; balão em casos selecionados), CIV, displasias, tetralogia de Fallot (avaliação para manejo paliativo).

Bradiarritmias com síncope

Bloqueio AV de 2º grau avançado ou de 3º grau, síndrome do nó sinusal doente, parada atrial persistente. Holter para documentar, teste de atropina quando indicado, implante de marca-passo definitivo transvenoso. Em cães e, em casos selecionados, gatos.

Taquiarritmias de difícil controle

Taquicardia ventricular em Boxer e Dobermann, fibrilação atrial com resposta ventricular alta, taquicardias supraventriculares sustentadas. Holter, seleção e titulação de antiarrítmicos, cardioversão em casos selecionados.

Efusão pericárdica

Tamponamento: pericardiocentese guiada por eco, investigação da causa (neoplasia, idiopática), planejamento de pericardiectomia quando indicado.

Insuficiência cardíaca refratária

Estágio D da doença valvar, CMD descompensada, ICC em gato com CMH. Otimização de diurético (incluindo torsemida), sequencial nephron blockade, sildenafil na hipertensão pulmonar associada, reavaliação de diagnóstico (efusão, arritmia, comorbidade).

Pacientes cardiopatas que precisam de outro procedimento

Cão com doença valvar B2 que precisa de profilaxia dentária; gato com CMH que precisa de ovariohisterectomia; Dobermann que vai para cirurgia ortopédica. Avaliação pré-anestésica com eco e ECG, relatório de risco e recomendações de protocolo para o anestesista.

Dispneia de origem indefinida

Quando o RX não fecha o diagnóstico: eco à beira do paciente, NT-proBNP, POCUS torácico. Diferenciar edema cardiogênico de pneumopatia muda tudo no tratamento inicial.

Como discutir um caso antes de encaminhar

Mande os exames pelo WhatsApp com uma linha de contexto. Respondemos com a impressão e se vale a pena o encaminhamento presencial, sem custo para a discussão inicial. A página Comunicação com o especialista descreve os canais.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico veterinário. O diagnóstico e o tratamento de doenças cardíacas exigem avaliação individual de cada paciente.

Termos desta página

  • Persistência do ducto arteriosoCardiopatia congênita em que um vaso fetal (o ducto arterioso) não se fecha após o nascimento, desviando sangue…
  • Estenose pulmonarEstreitamento congênito da valva pulmonar, que dificulta a saída do sangue do ventrículo direito para os pulmões. É…
  • Bloqueio atrioventricularFalha na condução do impulso elétrico dos átrios para os ventrículos. No 3º grau (total) o coração bate…
  • Efusão pericárdicaAcúmulo de líquido no saco que envolve o coração (pericárdio). Quando comprime o coração (tamponamento), é emergência e…
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Dúvidas comuns

Perguntas de colegas veterinários

Quais procedimentos intervencionistas a Goldfeder realiza?

Fechamento de ducto arterioso com dispositivo oclusor (ACDO) ou coil, valvoplastia por balão em estenose pulmonar (e casos selecionados de estenose aórtica e tricúspide), implante de marca-passo definitivo, pericardiocentese e cateterismo diagnóstico.

Quais casos vale a pena encaminhar ao cardiologista?

Sopros em filhotes (suspeita de cardiopatia congênita), sopros em adultos para estadiamento, síncope, arritmias no ECG, cardiomegalia radiográfica, dispneia de origem indefinida, avaliação pré-anestésica de pacientes de risco e qualquer caso em que você queira uma segunda opinião sobre exames cardíacos.

Pet cardiopata pode ser anestesiado?

Na maior parte dos casos, sim, com avaliação cardiológica prévia, ajuste do protocolo anestésico e monitoração adequada. O ecocardiograma pré-anestésico é o que permite ao anestesista planejar com segurança.

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