Quando Levar ao Cardiologista Veterinário · Atualizado em

Desmaio em Cães: Causas, Riscos e o Que Fazer

Ilustração de arritmias cardíacas em pets durante a consulta veterinária

Ver o próprio cão desabar sem aviso é uma das experiências mais assustadoras para um tutor. A boa notícia é que o episódio costuma durar poucos segundos. A notícia que exige ação é que o desmaio é um sinal de alarme e quase sempre tem causa identificável.

Por que um cão desmaia?

Desmaio, ou síncope, é a perda súbita e breve de consciência causada por queda temporária do fluxo de sangue para o cérebro. As causas cardíacas mais comuns são arritmias, obstruções à saída do sangue do coração e hipertensão pulmonar. Há também causas não cardíacas, como reflexos vagais, hipoglicemia e anemia grave.

Desmaio ou convulsão?

Distinguir os dois muda completamente a investigação. Esta tabela reúne os pontos que mais ajudam.

Característica Síncope (desmaio) Convulsão
Antes do episódio Costuma ocorrer em esforço ou excitação Pode ter comportamento estranho antes
Duração Segundos Frequentemente mais de um minuto
Movimentos Corpo mole, pode ter rigidez breve Movimentos rítmicos, remada
Salivação, urina, fezes Incomum Comum
Recuperação Rápida e completa Confusão por minutos a horas

A sobreposição existe e nem sempre o quadro é típico, então a classificação final é clínica.

As causas cardíacas mais relevantes

Arritmias

Tanto o ritmo lento demais quanto o rápido demais reduzem o volume de sangue bombeado. Bloqueios atrioventriculares, doença do nó sinusal e taquicardias ventriculares estão entre as causas mais associadas a síncope.

Obstruções ao fluxo

Estenose subaórtica e estenose pulmonar limitam a saída de sangue e podem provocar desmaio durante o esforço, quando a demanda aumenta.

Hipertensão pulmonar

A pressão elevada na circulação do pulmão dificulta o enchimento do coração esquerdo e explica desmaios em esforço, sobretudo em cães com doença respiratória crônica ou doença valvar avançada.

O que fazer no momento do episódio

Mantenha a calma e não segure nem contenha o animal. Deite-o de lado em local seguro e observe. Se conseguir, grave em vídeo: para o cardiologista, essa imagem vale mais que qualquer descrição. Anote a hora, o que o cão estava fazendo e quanto tempo durou. Depois de qualquer episódio de perda de consciência, procure atendimento.

Como se investiga

O exame decisivo costuma ser o Holter, o eletrocardiograma de 24 horas, porque a arritmia responsável muitas vezes não aparece no eletrocardiograma curto de consultório. Complementam a investigação o ecocardiograma, a radiografia de tórax, a medida de pressão arterial e exames de sangue. Em casos selecionados, usa-se um monitor de eventos por períodos mais longos.

Tem tratamento?

Na maioria das vezes, sim, e ele depende da causa. Arritmias lentas com repercussão podem ter indicação de marcapasso. Arritmias rápidas costumam responder a medicação antiarrítmica. Obstruções podem ter indicação de procedimento por cateterismo. Hipertensão pulmonar tem tratamento medicamentoso específico. O que não se deve fazer é conviver com o desmaio sem investigar, porque parte das causas tem risco de morte súbita.

Perguntas frequentes

Meu cão desmaiou uma vez só. Preciso investigar?

Sim. Um único episódio já justifica investigação, porque a frequência do desmaio não guarda relação com a gravidade da causa.

Desmaio no esforço é pior que em repouso?

Desmaio durante exercício aumenta a suspeita de obstrução ou arritmia grave e merece prioridade. Mas desmaio em repouso também precisa de investigação.

Pode ser só emoção?

Existem síncopes reflexas ligadas a tosse, excitação ou dor. Mesmo assim, elas são um diagnóstico de exclusão, feito depois que as causas cardíacas foram afastadas.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico veterinário. O diagnóstico e o tratamento de doenças cardíacas exigem avaliação individual de cada paciente.

Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

Quando devo levar meu pet ao cardiologista veterinário?

Quando o veterinário de rotina ouve um sopro ou uma arritmia, quando o animal apresenta tosse persistente, cansaço fácil, respiração acelerada em repouso ou desmaios, e no rastreamento de raças predispostas (Cavalier, Boxer, Dobermann, Maine Coon, entre outras). Cães de pequeno porte a partir dos 8 anos e gatos idosos também se beneficiam de uma avaliação preventiva.

Quais sinais indicam problema no coração do meu pet?

Tosse (principalmente à noite), cansaço fácil, respiração acelerada em repouso, desmaios, barriga inchada, perda de peso e gengivas pálidas ou azuladas. Em gatos os sinais são mais discretos: esconder-se, respirar pela boca, comer menos. Dificuldade para respirar é emergência.

Como contar a respiração do meu pet em casa?

Com o animal dormindo ou totalmente relaxado, conte quantas vezes o tórax sobe em 30 segundos e multiplique por dois. Abaixo de 30 por minuto é normal. Acima de 40 de forma repetida, ou um aumento claro em relação ao habitual, é motivo para entrar em contato.

Tosse em cachorro é sempre coração?

Não. Colapso de traqueia, bronquite, infecções e problemas de laringe causam tosse com frequência, sobretudo em raças pequenas. A tosse cardíaca costuma vir com cansaço e respiração acelerada, e o cardiologista diferencia as causas com exame físico, radiografia de tórax e ecocardiograma.

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Seu pet apresenta algum desses sinais?

Uma avaliação cardiológica com ecocardiograma no mesmo atendimento tira a dúvida. Atendemos em São Paulo, Osasco e Porto Alegre.

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