Cateterismo Cardíaco Veterinário
Em resumo
O cateterismo cardíaco veterinário trata cardiopatias por dentro dos vasos, sem abrir o tórax: fechamento do ducto arterioso (PDA) com dispositivo oclusor, valvoplastia por balão na estenose pulmonar e implante de marca-passo. A internação costuma ser de uma noite e a recuperação, de 7 a 14 dias. A Goldfeder realiza esses procedimentos desde 2013.
Até poucos anos atrás, corrigir um defeito cardíaco em um cão significava abrir o tórax. Hoje, boa parte dessas correções é feita por dentro dos vasos sanguíneos: um cateter entra por uma pequena incisão na virilha ou no pescoço, é guiado por raio-X e ecocardiograma até o coração, e fecha um ducto, abre uma valva ou posiciona um eletrodo de marca-passo. O animal costuma ir para casa no dia seguinte. A Goldfeder realiza esses procedimentos desde 2013 e é referência na América Latina em cardiologia intervencionista veterinária.
O que é o cateterismo cardíaco
Cateterismo é o nome da técnica: introduzir cateteres (tubos finos e flexíveis) no sistema circulatório e conduzi-los até o coração sob visão de fluoroscopia (raio-X em tempo real) e ecocardiografia. Pode ser diagnóstico, quando mede pressões e injeta contraste para ver a anatomia, ou terapêutico, quando trata. Na cardiologia veterinária, quase sempre é terapêutico: o ecocardiograma já fez o diagnóstico, e o cateterismo entra para corrigir.
Procedimentos realizados na Goldfeder
Fechamento do ducto arterioso (PDA)
O ducto arterioso é um vaso da vida fetal que deveria se fechar após o nascimento. Quando persiste, sobrecarrega o lado esquerdo do coração e leva à insuficiência cardíaca ainda no primeiro ano. Pelo cateterismo, um dispositivo oclusor de nitinol (ACDO, Amplatz Canine Duct Occluder, desenhado para cães) é levado pela artéria femoral até o ducto e liberado ali, bloqueando a passagem. Fechado a tempo, o coração volta ao normal e o cão tem expectativa de vida comum. Em filhotes muito pequenos, coils ou a ligadura cirúrgica são alternativas.
Valvoplastia por balão
Tratamento da estenose pulmonar moderada a grave, uma das cardiopatias congênitas mais comuns em cães (Buldogues, Boxer, Beagle, Schnauzer). Um cateter com balão é posicionado através da valva estreitada e inflado por alguns segundos, abrindo as cúspides fundidas. Na maioria dos pacientes o gradiente de pressão cai pela metade ou mais, com melhora do cansaço e dos desmaios e redução do risco de morte súbita. A mesma técnica é usada, com resultados mais variáveis, em estenoses aórtica e tricúspide e em casos selecionados de gatos.
Implante de marca-passo
Indicado em bloqueios atrioventriculares avançados e na síndrome do nó sinusal doente com desmaios: o coração bate devagar demais para manter o animal consciente e ativo. O eletrodo é levado por uma veia até o ventrículo direito e o gerador fica sob a pele. O cão volta a ter frequência cardíaca adequada e, em geral, os desmaios cessam.
Pericardiocentese e cateterismo diagnóstico
Drenagem do líquido ao redor do coração (efusão pericárdica) e medidas de pressão ou angiografias quando o ecocardiograma deixa dúvidas.
Como é o dia do procedimento
- Avaliação prévia: ecocardiograma detalhado (é ele que define o tamanho do dispositivo ou do balão), exames de sangue, radiografia e avaliação anestésica. Jejum conforme orientação.
- Procedimento: sob anestesia geral, com equipe de anestesiologia dedicada e monitoração completa. Duração média de 1 a 2 horas.
- Internação: em geral uma noite, para observação do local de acesso e do ritmo cardíaco.
- Alta e recuperação: repouso relativo por 7 a 14 dias, cuidado com a incisão (que tem poucos centímetros), medicação conforme prescrição.
- Controle: ecocarograma em 1 a 3 meses e depois anualmente.
Riscos
Como toda intervenção sob anestesia, há riscos: arritmias durante a manipulação do cateter, sangramento no acesso vascular, deslocamento do dispositivo (raro com a seleção correta) e, muito raramente, morte. Em centros com experiência, as complicações graves são incomuns, e para a maior parte dos pacientes o risco do procedimento é menor do que o de manter a doença sem correção. Cada caso recebe uma conversa franca sobre benefícios e riscos antes da decisão.
Cateterismo ou cirurgia aberta?
| Cateterismo | Cirurgia aberta (toracotomia) | |
|---|---|---|
| Acesso | Incisão de poucos centímetros na virilha ou no pescoço | Abertura do tórax entre as costelas |
| Internação | Em geral 1 noite | Vários dias |
| Recuperação | 7 a 14 dias | Semanas |
| Dor pós-operatória | Baixa | Significativa |
| Quando é a escolha | PDA com anatomia favorável, estenose pulmonar, marca-passo | PDA em filhotes muito pequenos, anatomias que não permitem dispositivo |
Onde os procedimentos são realizados
Em São Paulo (Hospital da UFAPE) e em Porto Alegre (Vettie Hospital Veterinário), em centros cirúrgicos com fluoroscopia. Tutores de outras cidades podem fazer a avaliação inicial por telecardiologia com os exames já realizados e organizar a viagem apenas para o procedimento.
Para veterinários
Se você tem um paciente com sopro em filhote, PDA ou estenose confirmados no eco, ou um bloqueio AV com síncope, a página Referenciar um caso explica o que enviar. Discutimos o caso antes de qualquer decisão e o paciente volta para você após o procedimento.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico veterinário. O diagnóstico e o tratamento de doenças cardíacas exigem avaliação individual de cada paciente.
Termos desta página
- Cateterismo cardíacoTécnica em que cateteres são introduzidos por um vaso sanguíneo até o coração, guiados por raio-X e ecocardiograma,…
- Oclusor de ducto (ACDO)Dispositivo de malha de nitinol, desenhado para cães, que é levado por cateter até o ducto arterioso e…
- Valvoplastia por balãoProcedimento por cateterismo em que um balão é inflado dentro de uma valva estreitada (em geral a pulmonar)…
- Marca-passoGerador de pulsos implantado sob a pele, ligado a um eletrodo dentro do coração por uma veia, que…
- Persistência do ducto arteriosoCardiopatia congênita em que um vaso fetal (o ducto arterioso) não se fecha após o nascimento, desviando sangue…
- Estenose pulmonarEstreitamento congênito da valva pulmonar, que dificulta a saída do sangue do ventrículo direito para os pulmões. É…
Dúvidas comuns
Perguntas frequentes
O que é cateterismo cardíaco em cães e gatos?
É uma técnica minimamente invasiva em que cateteres são introduzidos por um vaso sanguíneo (na virilha ou no pescoço) e guiados até o coração por raio-X e ecocardiograma. Permite fechar o ducto arterioso, abrir valvas estreitadas com balão e implantar marca-passo sem abrir o tórax, com internação curta.
Doença cardíaca em cães e gatos tem cura?
Depende da doença. Várias cardiopatias congênitas, como a persistência do ducto arterioso e a estenose pulmonar, podem ser corrigidas por cateterismo, muitas vezes de forma definitiva. As doenças degenerativas (doença valvar, cardiomiopatias) não têm cura, mas têm tratamento que controla os sinais e prolonga a vida com qualidade.
Pet cardiopata pode ser anestesiado?
Na maior parte dos casos, sim, com avaliação cardiológica prévia, ajuste do protocolo anestésico e monitoração adequada. O ecocardiograma pré-anestésico é o que permite ao anestesista planejar com segurança.
Quais as formas de pagamento?
Pix, cartão de débito e crédito. Procedimentos por cateterismo podem ser parcelados; consulte as condições ao receber o orçamento.
Veja também
- O que é Cardiologia Veterinária
- Doenças Cardíacas em Cães
- Doenças Cardíacas em Gatos
- Diagnóstico por Ecocardiografia
- Quando Levar ao Cardiologista Veterinário
- Cardiologia Veterinária
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