Doenças Cardíacas em Gatos
Em resumo
A doença cardíaca mais comum em gatos é a cardiomiopatia hipertrófica, em que o músculo do coração engrossa. Gatos escondem sinais: respiração rápida ou pela boca, apatia e menor apetite já merecem atenção, e a paralisia súbita das patas traseiras (tromboembolismo) é emergência. O ecocardiograma é o exame que confirma o diagnóstico.
Gatos não tossem por causa do coração, raramente cansam de forma visível e escondem o mal-estar até não conseguirem mais. Por isso a doença cardíaca felina costuma aparecer de duas formas: como um achado de exame de rotina, ou como uma crise. Saber o que procurar muda esse desfecho.
Cardiomiopatia hipertrófica: a doença do gato
A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é responsável pela grande maioria das cardiopatias em gatos. O músculo do ventrículo esquerdo engrossa para dentro, sem uma causa como hipertensão que o justifique, e passa a relaxar mal. O ventrículo enche menos, o átrio esquerdo dilata e o sangue pode estagnar e formar coágulos. Há predisposição genética conhecida em Maine Coon, Ragdoll, Sphynx, Persa e British Shorthair, mas a doença é comum também em gatos sem raça definida, em qualquer idade.
Outras cardiomiopatias (restritiva, dilatada, não classificada) existem, mas são bem menos frequentes. A cardiomiopatia dilatada, que foi comum décadas atrás por deficiência de taurina, hoje é rara graças à suplementação das rações.
Por que os sinais passam despercebidos
O gato compensa a doença reduzindo a atividade, e como não sai para passear, ninguém nota que ele “cansa”. Muitos convivem com a CMH por anos sem que ninguém perceba. Quando os sinais aparecem, costumam ser discretos ou súbitos:
- Respiração rápida em repouso (acima de 40 por minuto dormindo) ou com esforço abdominal.
- Respirar pela boca, o que nunca é normal em gato.
- Esconder-se mais, apatia, menor apetite.
- Ritmo de galope ou sopro ouvido na consulta de rotina.
- Paralisia súbita e dolorosa das patas traseiras: tromboembolismo aórtico, emergência absoluta.
Tromboembolismo aórtico
É a complicação mais temida. Um coágulo formado no átrio esquerdo dilatado se solta e entope a aorta na altura das patas traseiras. O gato grita, arrasta as pernas, as almofadinhas ficam frias e pálidas. É uma emergência: quanto antes o atendimento, maior a chance de recuperação. Gatos com CMH e átrio dilatado recebem medicação preventiva (clopidogrel) justamente para reduzir esse risco.
Hipertensão arterial e outras causas de coração “grosso”
Nem todo espessamento do músculo é CMH. A hipertensão arterial sistêmica (frequente em gatos com doença renal) e o hipertireoidismo (comum em gatos idosos) engrossam o músculo por outros mecanismos e têm tratamento próprio. Por isso a avaliação cardiológica do gato inclui a medida da pressão arterial e, em gatos idosos, a dosagem dos hormônios da tireoide.
Cardiopatias congênitas em gatos
Menos comuns do que em cães, mas existem: displasia da valva mitral ou tricúspide, comunicação interventricular, persistência do ducto arterioso e estenose pulmonar. Um sopro em filhote de gato merece ecocardiograma da mesma forma que em cão.
Como é feito o diagnóstico
O ecocardiograma é o único exame que confirma a cardiomiopatia: mede a espessura das paredes, o tamanho do átrio esquerdo e sinais de risco de trombo. O exame de sangue NT-proBNP ajuda na triagem quando o eco não está disponível de imediato. Radiografia de tórax avalia líquido nos pulmões ou no tórax; pressão arterial e exames de sangue descartam as causas secundárias.
Tratamento e acompanhamento
Gatos sem sinais e com átrio normal são apenas acompanhados, com ecocardiograma anual. Com átrio dilatado, entra a prevenção de trombo. Na insuficiência cardíaca, diuréticos e outros fármacos controlam o líquido acumulado. O manejo do estresse (caixa de transporte tranquila, ambiente previsível, consultas curtas) faz parte do tratamento, porque o estresse agudo é um gatilho conhecido de crise em gatos cardiopatas.
Gatos que merecem rastreamento
Raças predispostas (Maine Coon, Ragdoll, Sphynx, Persa, British), gatos que vão ser anestesiados, gatos com sopro ou arritmia na consulta e gatos idosos com doença renal ou hipertireoidismo. Um ecocardiograma leva 30 minutos e responde a pergunta antes da crise.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico veterinário. O diagnóstico e o tratamento de doenças cardíacas exigem avaliação individual de cada paciente.
Termos desta página
- Cardiomiopatia hipertróficaDoença do músculo cardíaco em que a parede do ventrículo esquerdo engrossa e perde a capacidade de relaxar.…
- Tromboembolismo aórticoCoágulo formado no coração (geralmente em gatos com cardiomiopatia) que se solta e entope a aorta, causando paralisia…
- Hipertensão arterial sistêmicaPressão arterial elevada de forma persistente, na maioria das vezes secundária a doença renal, hipertireoidismo ou outras condições.…
- NT-proBNPExame de sangue que mede um hormônio liberado quando o músculo cardíaco está sob estiramento ou estresse. Ajuda…
Dúvidas comuns
Perguntas frequentes
Quais sinais indicam problema no coração do meu pet?
Tosse (principalmente à noite), cansaço fácil, respiração acelerada em repouso, desmaios, barriga inchada, perda de peso e gengivas pálidas ou azuladas. Em gatos os sinais são mais discretos: esconder-se, respirar pela boca, comer menos. Dificuldade para respirar é emergência.
Meu gato fica muito estressado. Como funciona o atendimento?
A rotina é pensada para reduzir o estresse: caixa de transporte coberta, ambiente calmo, manipulação mínima e, quando necessário, sedação leve para que o ecocardiograma seja feito com segurança e medidas confiáveis.
Vale a pena fazer ecocardiograma preventivo?
Em raças com predisposição genética (Cavalier King Charles, Dobermann, Boxer, Maine Coon, Ragdoll, Sphynx), em animais que vão passar por anestesia e em cães de pequeno porte idosos, sim. Detectar a doença antes dos sinais permite começar o tratamento na fase em que ele mais adia a insuficiência cardíaca.
Doença cardíaca em cães e gatos tem cura?
Depende da doença. Várias cardiopatias congênitas, como a persistência do ducto arterioso e a estenose pulmonar, podem ser corrigidas por cateterismo, muitas vezes de forma definitiva. As doenças degenerativas (doença valvar, cardiomiopatias) não têm cura, mas têm tratamento que controla os sinais e prolonga a vida com qualidade.
Seu pet apresenta algum desses sinais?
Uma avaliação cardiológica com ecocardiograma no mesmo atendimento tira a dúvida. Atendemos em São Paulo, Osasco e Porto Alegre.



